“Currículos perfeitos, verdades imperfeitas: um alerta sobre autenticidade na era da IA”
- Maria Rejane Arboite

- 13 de nov.
- 2 min de leitura

Nos últimos meses, tenho vivido intensamente o universo dos processos seletivos. Ainda sou uma recrutadora que lê cada currículo com cuidado — e foram muitos, recentemente. Sinto que ainda preciso seguir dessa forma.
O que tem me chamado a atenção é a transformação desse cenário. Há pouco tempo, recebíamos currículos simples, muitos deles sem formatação, com informações confusas. Às vezes, era difícil compreender a essência da trajetória do candidato. Em várias situações, acabávamos ajudando a reorganizar o material antes de enviá-lo aos clientes.
Agora, a realidade é outra. Recebo inúmeros currículos impecáveis — bem estruturados, bem escritos, muitos deles perfeitamente adaptados às novas exigências das plataformas que usam inteligência artificial. Confesso: sinto um leve saudosismo do formato tradicional, mas reconheço o avanço. Essa mudança mostra o quanto as pessoas estão se reinventando.
E eu admiro muito isso.
Admiro quem estuda, quem aprende a montar prompts, quem busca dicas de formatação e palavras-chave. Essa dedicação — é o retrato de quem não desiste.
Mas, no meio desse movimento, quero deixar um lembrete sincero: as informações que você escreve precisam ser verdadeiras.
A IA pode ser uma aliada poderosa — ela ajuda a organizar ideias, dar clareza à sua narrativa e apresentar sua trajetória de forma moderna. Mas ela não deve criar uma versão de você que não existe. Quando isso acontece, o peso vem depois.
Você pode até passar pela triagem de uma plataforma ou impressionar o entrevistador. Mas, no dia a dia do trabalho, surgem a entrega, o desempenho, a pressão. E quando o que está no papel não corresponde à realidade, vem a ansiedade, a desconfiança, e, muitas vezes, o desligamento. São currículos perfeitos, mas com verdades imperfeitas.
Eu sei — competir por um emprego é duro. A idade, o gênero, a falta de experiência, as comparações… tudo isso pesa. Mas, ainda assim, eu acredito profundamente que a verdade é o que sustenta a sua trajetória.
Então, use todas as ferramentas que puder. Peça ajuda, revise seu currículo, reorganize suas informações, corrija rotas se for necessário. Mas, acima de tudo, mantenha o que há de mais valioso em você: a sua dignidade, a sua verdade e o orgulho da sua própria história.
Porque, no fim das contas, o que realmente abre portas não é um currículo perfeito — é um currículo verdadeiro.
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