Dilema do Profissional de RH nas empresas familiares: entre a Confiança e a Profissionalização
- Maria Rejane Arboite

- há 3 dias
- 2 min de leitura

O RH sempre foi apontado como peça estratégica nas organizações. Mas, quando falamos de empresas familiares, o desafio ganha contornos particulares. Nessas empresas, o modo de gerir é profundamente influenciado pelo fundador e pelos valores que moldaram o negócio desde sua criação.
Nas estruturas ainda não profissionalizadas, a lógica é simples: confiança é a moeda mais valiosa. Não importa a quão inovadora seja uma política de gestão — antes de qualquer proposta, o RH precisa ganhar a credibilidade do “dono”. É uma relação que se constrói dia após dia, tanto pela competência técnica quanto pela habilidade de interpretar a cultura e o modo de pensar de quem fundou a empresa.
A vantagem é que o acesso à liderança costuma ser direto. Decisões são rápidas, e projetos podem avançar com agilidade. Em contrapartida, o fundador raramente deixa de acompanhar o que acontece: interfere em contratações, demissões e benefícios, sempre que considera necessário. Essa dinâmica pode fortalecer o negócio, mas também limita a autonomia do RH.
Quando a empresa evolui para um modelo mais profissionalizado, o cenário muda — mas não completamente. Estruturas mais formais, políticas imparciais e processos claros abrem espaço para práticas contemporâneas de gestão de pessoas. Ainda assim, os proprietários continuam presentes, atentos e interessados. Esperam dos gerentes externos uma postura de “donos”, e valorizam a continuidade cultural construída pela família.
Nesse ambiente híbrido — parte técnico, parte afetivo — o RH exerce um papel de ponte. Ele articula relações, suaviza conflitos, orienta gestores recém-chegados e ajuda a equilibrar tradição e modernização. A profissionalização traz eficiência, mas não elimina tensões. Autoridade real só se conquista com tempo, coerência e entrega.
Por isso, gerir pessoas em empresas familiares exige mais do que domínio de processos. Exige sensibilidade para lidar com vínculos emocionais, expectativas invisíveis e valores que atravessam gerações — e, muitas vezes, uma forte centralidade da figura dos fundadores.
No fim das contas, três pilares continuam sendo decisivos:
Confiança — o alicerce das relações, as vezes mais importante que a própria competência profissional.
Fidelidade— aos princípios, valores, a família empresária.
Parceria — uma relação baseada no comprometimento e na entrega.
E você, profissional de RH atuante nas empresas familiares: como vê esses desafios hoje? Fazem parte da sua realidade?
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